{"id":320,"date":"2022-12-23T22:38:02","date_gmt":"2022-12-23T22:38:02","guid":{"rendered":"https:\/\/drasymara.com\/consultorio\/?p=320"},"modified":"2022-12-23T22:38:02","modified_gmt":"2022-12-23T22:38:02","slug":"qualidade-na-assistencia-ao-parto-e-cuidado-seguro-e-respeitoso-da-saude-materna-e-fetal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/drasymara.com\/consultorio\/qualidade-na-assistencia-ao-parto-e-cuidado-seguro-e-respeitoso-da-saude-materna-e-fetal\/","title":{"rendered":"Qualidade na assist\u00eancia ao parto e cuidado seguro e respeitoso da sa\u00fade materna e fetal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">As a\u00e7\u00f5es para um parto seguro e respeitoso visam, al\u00e9m de reduzir a taxa de mortalidade materna e perinatal e promover a sa\u00fade materna, fornecer um ambiente acolhedor no per\u00edodo do nascimento. Essas a\u00e7\u00f5es englobam as dimens\u00f5es dos cuidados de sa\u00fade pr\u00e9-gestacional, pr\u00e9-natal, de parto e de puerp\u00e9rio, permitindo uma experi\u00eancia positiva e gratificante. Essas propostas s\u00e3o tamb\u00e9m defendidas pela Organiza\u00e7\u00e3o<br \/>\nMundial da Sa\u00fade (OMS), pela Federa\u00e7\u00e3o Internacional<br \/>\nde Ginecologia e Obstetr\u00edcia (FIGO), pelo Royal College<br \/>\nof Obstetricians and Gynaecologists do Reino Unido e<br \/>\npelo American College of Obstetricians and Gynecologists dos EUA, com o slogan: \u201cAgir agora para um parto<br \/>\nseguro e respeitoso\u201d.<br \/>\nTodas as mulheres t\u00eam direito ao mais alto padr\u00e3o<br \/>\nposs\u00edvel de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, incluindo o direito a uma assist\u00eancia digna e respeitosa durante toda a gravidez,<br \/>\nparto e puerp\u00e9rio, assim como o direito de estar livre da<br \/>\nviol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o. Os abusos, os maus-tratos, a<br \/>\nneglig\u00eancia e o desrespeito durante o parto equivalem a<br \/>\numa viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos fundamentais e s\u00e3o<br \/>\nrepudiados com veem\u00eancia pela Febrasgo.(1)<br \/>\nAo se fazer refer\u00eancia aos cuidados de sa\u00fade e interven\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas no parto e puerp\u00e9rio, um termo<br \/>\nque vem sendo muito utilizado nos \u00faltimos anos \u00e9 o de<br \/>\n\u201cViol\u00eancia Obst\u00e9trica\u201d. Trata-se de uma express\u00e3o criada com evidente conota\u00e7\u00e3o preconceituosa que, sob o<br \/>\nfalso manto de proteger a parturiente, criminaliza o trabalho de m\u00e9dicos e enfermeiros na nobre e dif\u00edcil tarefa<br \/>\nde atendimento ao parto.<br \/>\nO primeiro, e talvez maior erro do conceito de \u201cviol\u00eancia obst\u00e9trica\u201d, \u00e9 tentar transformar em regra a exce\u00e7\u00e3o, dando a impress\u00e3o de que m\u00e9dicos e enfermeiros<br \/>\nhabitualmente tratam parturientes de modo violento.<br \/>\nNada pode ser mais injusto do que isso. A imensa maioria das pessoas que cuidam e auxiliam mulheres a parir<br \/>\ns\u00e3o pessoas dedicadas, corteses e comprometidas com<br \/>\nas boas pr\u00e1ticas.<br \/>\nO segundo, e n\u00e3o menos grave, erro do preconceituoso termo \u201cviol\u00eancia obst\u00e9trica\u201d \u00e9 o de colocar num<br \/>\nmesmo contexto atitudes de desrespeito e descortesia,<br \/>\ninaceit\u00e1veis por qualquer \u00e2ngulo que se olhe, e condutas m\u00e9dicas, muitas delas controversas, at\u00e9 pass\u00edveis de<br \/>\ndiscuss\u00e3o cient\u00edfica, mas jamais devendo ser tratadas<br \/>\nno \u00e2mbito da legisla\u00e7\u00e3o penal.<br \/>\nPara se alcan\u00e7ar cuidado materno e perinatal respeitoso e eficaz, \u00e9 necess\u00e1rio fornecer cuidados seguros,<br \/>\ninclusivos e universalmente acess\u00edveis. Para que isso<br \/>\npossa ser alcan\u00e7ado, h\u00e1 necessidade de a\u00e7\u00f5es como:<br \/>\n\u2022 Acesso ao pr\u00e9-natal e aos exames<br \/>\ncl\u00ednicos e subsidi\u00e1rios;<br \/>\n\u2022 Acesso aos centros de tratamento de alto<br \/>\nrisco, quando se fizer necess\u00e1rio;<br \/>\n\u2022 Acesso \u00e0s maternidades com ambi\u00eancia adequada<br \/>\n\u00e0 moderna e respeitosa assist\u00eancia obst\u00e9trica;<br \/>\n\u2022 Garantia de cuidados maternos prestados<br \/>\nde modo igualit\u00e1rio, independentemente de<br \/>\nra\u00e7a, etnia, religi\u00e3o, contexto socioecon\u00f4mico,<br \/>\nidade, estado civil, identidade sexual ou<br \/>\npresen\u00e7a de necessidades especiais;<br \/>\n\u2022 Promo\u00e7\u00e3o de cuidados respeitosos que<br \/>\nreconhe\u00e7am os direitos e desejos do indiv\u00edduo,<br \/>\ndentro de um quadro \u00e9tico de benefic\u00eancia,<br \/>\nn\u00e3o malefic\u00eancia, justi\u00e7a e autonomia;<br \/>\n\u2022 Fornecimento de suporte de sa\u00fade<br \/>\nmental adequado durante a gravidez,<br \/>\no parto e o puerp\u00e9rio;<br \/>\n\u2022 Garantia do parto em maternidades com<br \/>\nequipes completas (obstetras, neonatologistas,<br \/>\nanestesistas, enfermagem obst\u00e9trica), com<br \/>\nbanco de sangue no local ou acesso a sangue<br \/>\ne hemoderivados para situa\u00e7\u00f5es de urg\u00eancia e<br \/>\ncom os recursos necess\u00e1rios para a seguran\u00e7a<br \/>\nda paciente e de seu feto\/rec\u00e9m-nascido;<br \/>\n\u2022 Tomada de condutas m\u00e9dicas<br \/>\ncorretas e atualizadas;<br \/>\n\u2022 Pr\u00e1tica de interven\u00e7\u00f5es comprovadamente<br \/>\nben\u00e9ficas para m\u00e3e e para o feto;<br \/>\n\u2022 Respeito \u00e0 individualidade das pacientes,<br \/>\nseus h\u00e1bitos e cren\u00e7as, preservando e<br \/>\npriorizando sempre a sa\u00fade materna e fetal;<br \/>\n\u2022 M\u00e9todos farmacol\u00f3gicos e n\u00e3o farmacol\u00f3gicos<br \/>\npara al\u00edvio da dor do trabalho de parto;<br \/>\n\u2022 Oferta de servi\u00e7os de sa\u00fade em<br \/>\ncondi\u00e7\u00f5es de um parto seguro;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 Permiss\u00e3o da presen\u00e7a de acompanhante<br \/>\ndurante o trabalho de parto, parto e<br \/>\npuerp\u00e9rio, conforme previsto em lei;<br \/>\n\u2022 Oferta de pessoas treinadas para apoiar<br \/>\na amamenta\u00e7\u00e3o exclusiva no peito;<br \/>\n\u2022 Fornecimento de vigil\u00e2ncia adequada durante<br \/>\no per\u00edodo p\u00f3s-parto para complica\u00e7\u00f5es<br \/>\nrelacionadas \u00e0 gravidez conhecidas por resultar<br \/>\nem morbidade e mortalidade durante o per\u00edodo<br \/>\np\u00f3s-parto, como hemorragia, hipertens\u00e3o<br \/>\narterial, tromboembolismo, infec\u00e7\u00e3o puerperal,<br \/>\ndoen\u00e7as cardiovasculares e depress\u00e3o;<br \/>\n\u2022 Oferta de escolha abrangente de m\u00e9todos<br \/>\nanticoncepcionais seguros e eficazes logo ap\u00f3s<br \/>\no nascimento, adequados ao indiv\u00edduo, de uma<br \/>\nmaneira que a paciente possa compreender;<br \/>\n\u2022 Registro e investiga\u00e7\u00e3o de todos os incidentes,<br \/>\neventos adversos e mortes que possam<br \/>\nocorrer durante assist\u00eancia e trabalho em<br \/>\nconjunto com as secretarias de sa\u00fade para a<br \/>\nredu\u00e7\u00e3o de todas os casos evit\u00e1veis de morte<br \/>\nmaterna, especialmente as mais prevalentes,<br \/>\ncomo hipertens\u00e3o, hemorragia e infec\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNo af\u00e3 de combater abusos, maus-tratos, neglig\u00eancia e desrespeito durante o ciclo grav\u00eddico-puerperal, procedimentos e interven\u00e7\u00f5es que s\u00e3o importantes para uma assist\u00eancia obst\u00e9trica segura, quando utilizados no momento correto e com indica\u00e7\u00f5es precisas, t\u00eam sido arrolados como fazendo parte do (pr\u00e9)conceito de \u201cviol\u00eancia obst\u00e9trica\u201d. Dentre eles, destacamos alguns a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>USO DE OCITOCINA<\/strong><br \/>\nA introdu\u00e7\u00e3o da ocitocina na pr\u00e1tica obst\u00e9trica foi um dos marcos na redu\u00e7\u00e3o da mortalidade materna. A ocitocina tem sido utilizada no manejo do parto e na preven\u00e7\u00e3o e tratamento da hemorragia puerperal e apresenta v\u00e1rios benef\u00edcios: corrige o trabalho de parto disfuncional, permitindo um nascimento saud\u00e1vel por via vaginal; diminui as taxas de ces\u00e1rea; reduz sangramento e necessidade de transfus\u00f5es sangu\u00edneas \u2013 aproximadamente 3% a 5% das pacientes obst\u00e9tricas ter\u00e3o<br \/>\nhemorragia p\u00f3s-parto, que \u00e9 a causa de um quarto das mortes maternas em todo o mundo.(2,3) Desse modo, vincular o uso da ocitocina no trabalho de parto \u00e0 pr\u00e1tica de \u201cviol\u00eancia\u201d significa desconhecimento completo sobre atendimento seguro ao parto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>AMNIOTOMIA<\/strong><br \/>\nA amniotomia, ou ruptura artificial das membranas ovulares, \u00e9 um recurso m\u00e9dico que tem comprovada utilidade na corre\u00e7\u00e3o de disfun\u00e7\u00e3o contr\u00e1til durante o primeiro per\u00edodo do parto e na redu\u00e7\u00e3o da dura\u00e7\u00e3o do trabalho de parto.(4,5) O benef\u00edcio de sua utiliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 em alcan\u00e7ar com sucesso um parto por via baixa quando h\u00e1 parada ou retardo na fase ativa e, nos casos de despropor\u00e7\u00e3o cefalop\u00e9lvica, permitir que esse diagn\u00f3stico seja feito em tempo h\u00e1bil, evitando a realiza\u00e7\u00e3o de uma cesariana tardia, com excesso de morbimortalidade.(5) Seu uso abusivo, com intuito apenas de apressar o parto, deve ser evitado, n\u00e3o sendo pr\u00e1tica recomendada.(6) Mesmo assim, alguns autores recomendam o manejo ativo do trabalho de parto como uma boa pr\u00e1tica, pois est\u00e1 desacompanhado de dano perinatal e diminui a taxa de cesariana por distocia.(7) Desse modo, seu uso mais ou menos frequente pode ser pass\u00edvel de discuss\u00e3o cient\u00edfica, mas jamais enquadrado como pr\u00e1tica de \u201cviol\u00eancia\u201d, pois, embora o benef\u00edcio seja controverso em alguns casos, n\u00e3o h\u00e1 preju\u00edzo comprovado com seu uso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CARDIOTOCOGRAFIA<\/strong><br \/>\nA cardiotocografia, ou monitoriza\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica da frequ\u00eancia card\u00edaca fetal, \u00e9 procedimento utilizado para vigil\u00e2ncia da sa\u00fade fetal e identifica\u00e7\u00e3o de risco de hipoxia fetal durante o trabalho de parto. \u00c9 uma evolu\u00e7\u00e3o evidente da pr\u00e1tica de ausculta intermitente dos<br \/>\nbatimentos card\u00edacos do beb\u00ea durante o parto. Seu uso em gestantes de alto risco \u00e9 pr\u00e1tica rotineira, sendo recomendada por todas as diretrizes obst\u00e9tricas. As evid\u00eancias dos benef\u00edcios da cardiotocografia cont\u00ednua em gestantes de risco habitual s\u00e3o controversas.(8) Em gestantes de risco habitual, quando comparada com a ausculta intermitente, a cardiotocografia cont\u00ednua diminui em 50% a ocorr\u00eancia de convuls\u00f5es neonatais, mas n\u00e3o diminui a taxa de mortalidade perinatal e de paralisia cerebral (95% das causas de paralisia cerebral s\u00e3o por motivos anteparto e n\u00e3o devido \u00e0 hip\u00f3xia aguda no parto).(9) Contudo, os estudos que n\u00e3o mostraram benef\u00edcios na monitoriza\u00e7\u00e3o de fetos de gestantes de risco habitual foram realizados nos anos 1970 e 1980,<br \/>\nquando os equipamentos, a experi\u00eancia cl\u00ednica e os crit\u00e9rios de interpreta\u00e7\u00e3o eram muito diferentes dos de agora, e eles claramente n\u00e3o t\u00eam o poder para avaliar desfechos graves como encefalopatia hip\u00f3xico-isqu\u00eamica e morte.(10) Quanto ao risco de resultados falso-positivos desse exame, \u00e9 certo que a solu\u00e7\u00e3o vem sendo trazida pela melhoria dos equipamentos, como os de telemetria por WI-FI que permite a deambula\u00e7\u00e3o, melhor qualidade dos tra\u00e7ados e mais treinamento na sua interpreta\u00e7\u00e3o. \u201cEsconder o diagn\u00f3stico\u201d nunca deve ser considerado boa pr\u00e1tica. Portanto, pode-se discutir, no \u00e2mbito cient\u00edfico, o benef\u00edcio ou n\u00e3o da cardiotocografia nas gestantes de risco habitual, mas classificar essa pr\u00e1tica como indevida, danosa ou violenta \u00e9 claramente um erro grosseiro de interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EPISIOTOMIA<\/strong><br \/>\nA episiotomia (cirurgia realizada sob anestesia nos m\u00fasculos do assoalho p\u00e9lvico) visa facilitar a libera\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a fetal no parto dif\u00edcil. \u00c9 certamente a cirurgia obst\u00e9trica mais realizada no mundo e sua preval\u00eancia \u00e9 bem variada dependendo da regi\u00e3o que se analisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A OMS,(11) o American College of Obstetrics and Gynecology, (12) a reconhecida Cochrane Library,(13) e o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade(14) preconizam que seu uso seja \u201crestritivo\u201d, o que foi definido nos estudos como uma taxa de episiotomia de at\u00e9 30% dos partos.(13,15) Em algumas situa\u00e7\u00f5es, como no parto instrumentado, a episiotomia pode proteger a parturiente de les\u00f5es no seu esf\u00edncter anal,(16) evitando a grave sequela de incontin\u00eancia fecal; noutras, como na suspeita de sofrimento fetal durante a expuls\u00e3o, a episiotomia pode ser essencial para evitar a asfixia do beb\u00ea e suas principais sequelas, a encefalopatia e a morte. Dessa maneira, incluir a episiotomia no rol dos procedimentos de \u201cviol\u00eancia obst\u00e9trica\u201d n\u00e3o \u00e9 apenas injusto com os(as) parteiros(as), mas perigoso para mulheres e beb\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CESARIANAS<\/strong><br \/>\nA cesariana, como uma alternativa ao parto vaginal, \u00e9 uma das interven\u00e7\u00f5es que mais t\u00eam salvado vidas de mulheres e beb\u00eas ao longo da hist\u00f3ria. Realizar uma cesariana sem indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e sem o consentimento livre e esclarecido da gestante \u00e9 m\u00e1 pr\u00e1tica m\u00e9dica. Recentemente o Conselho Federal de Medicina considerou que \u00e9 \u00e9tica a realiza\u00e7\u00e3o de cesariana por desejo materno, sem indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica precisa, desde que ela n\u00e3o seja realizada antes de completada a 39\u00aa semana e seja precedida de termo de consentimento livre e esclarecido sobre os riscos e benef\u00edcios do procedimento, inclusive para futuras gesta\u00e7\u00f5es.(17) Em pa\u00edses com taxas de cesariana superiores a 19%, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o inversa entre o percentual de cesariana e a mortalidade materna e perinatal.(18) O Brasil \u00e9 um pa\u00eds com as mais altas taxas de cesariana no mundo, j\u00e1 tendo ultrapassada a marca de 50% de todos os nascimentos por essa via de parto. Combater o excesso de cesariana \u00e9 tarefa dif\u00edcil e que compete aos gestores dos nossos sistemas de sa\u00fade, p\u00fablica e suplementar, mas de nenhum modo um procedimento de tamanha relev\u00e2ncia cl\u00ednica e social deve fazer parte de listas de interven\u00e7\u00f5es identificadas como \u201cviol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ESCOLHA DO LOCAL DO PARTO<\/strong><br \/>\nA Febrasgo, assim como a Academia Americana de Pediatria e o Col\u00e9gio Americano de Ginecologia e Obstetr\u00edcia, defende que o hospital e as maternidades s\u00e3o os locais mais seguros para o nascimento. Hospitais e maternidades devem ser dotados de equipe de sa\u00fade completa, com obstetras, neonatologistas\/pediatras, anestesistas, enfermeiras, t\u00e9cnicas de enfermagem e demais profissionais. A defesa do parto hospitalar tem como base os resultados de estudos cient\u00edficos robustos que demonstram, sem sombra de d\u00favida, que o parto realizado dentro de um ambiente hospitalar \u00e9 mais seguro para parturientes e beb\u00eas.(19-24) Dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), avaliando 2.280.044 partos hospitalares e 177.156 partos domiciliares planejados derec\u00e9m-nascidos a termo pesando mais do que 2.500 g entre 2010 e 2017, mostram que a mortalidade neonatal<br \/>\nnos partos hospitalares atendidos por midwives foi de 3,27 por 10.000, ao passo que nos partos planejados que ocorreram fora dos hospitais essa mortalidade subiu para 13,66, por 10.000, um incremento de 4,19 (p &lt; 0,0001).<br \/>\nParto fora do hospital, sim, deveria ser considerado pr\u00e1tica de \u201cviol\u00eancia\u201d, pois, na busca de evitar interven\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas (que podem ser salvadoras), foi aumentada em quase cinco vezes a mortalidade de crian\u00e7as a termo que n\u00e3o tinham nenhuma comorbidade, al\u00e9m da escolha indevida do local do parto feita pelos seus pais, com a coniv\u00eancia do sistema de sa\u00fade.(24) Desse modo,<br \/>\na Febrasgo v\u00ea com extrema ressalva a decis\u00e3o de gestantes pelo parto fora do hospital, como uma tentativa de torn\u00e1-lo mais acolhedor e humanizado. O respeito, a humaniza\u00e7\u00e3o e o cuidado individualizado n\u00e3o prescindem da seguran\u00e7a e podem ser obtidos dentro de institui\u00e7\u00f5es hospitalares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><br \/>\nPelos motivos acima exemplificados, a Comiss\u00e3o Nacional Especializada de Defesa e Valoriza\u00e7\u00e3o Profissional da Febrasgo se posiciona em defesa de uma assist\u00eancia ao parto com enfoque na qualidade dos cuidados de sa\u00fade materna e fetal, no cuidado respeitoso como componente essencial da qualidade da assist\u00eancia e contr\u00e1ria ao uso do termo \u201cviol\u00eancia obst\u00e9trica\u201d em<br \/>\nqualquer circunst\u00e2ncia. Ainda, a Febrasgo recomenda que, naquelas situa\u00e7\u00f5es de inadequa\u00e7\u00e3o de condutas, deve ser empregado o termo \u201cm\u00e1-pr\u00e1tica\u201d, como \u00e9 usado em todas demais especialidades m\u00e9dicas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As a\u00e7\u00f5es para um parto seguro e respeitoso visam, al\u00e9m de reduzir a taxa de mortalidade materna e perinatal e promover a sa\u00fade materna, fornecer um<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":321,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-320","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/drasymara.com\/consultorio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/320","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/drasymara.com\/consultorio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/drasymara.com\/consultorio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/drasymara.com\/consultorio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/drasymara.com\/consultorio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=320"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/drasymara.com\/consultorio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/320\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":322,"href":"https:\/\/drasymara.com\/consultorio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/320\/revisions\/322"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/drasymara.com\/consultorio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/321"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/drasymara.com\/consultorio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=320"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/drasymara.com\/consultorio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=320"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/drasymara.com\/consultorio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=320"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}